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Temporada das Águas! Para ler ao som de Santa Chuva, interpretada por Maria Rita.

                                                            
Tantas canções me vieram a mente quando decidi falar esta semana sobre a chuva. Como a vida é feita de escolhas, dessa vez ficarei com os versos de Marcelo Camelo lindamente interpretados por Maria Rita:

Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim...
(Santa Chuva)

Após meses sem cair, neste final de semana a santa chuva resolver desabar. A chuva nem sempre é santa, muitas vezes pode ser maldita. Entre santa e maldita, a chuva desce sem se importar com nossos julgamentos. 
As minhas boas recordações são evocadas quando chove e me sinto sempre em casa com um balde de pipocas e vendo filmes bem mofados como O Fabuloso Destino de Amélie Poulin que assisti a primeira vez numa tarde chuvosa da minha adolescência. Nestas idades não havia dores de cabeça maiores. 
Em outros momentos de chuva, a gente saía pelas ruas da pequena Itapecerica correndo pelas enxurradas, sem medo de doenças nem medo de água. Havia uma comunhão silenciosa entre a gente e a água. Quando chegávamos em casa, a mãe xingava, gritava, depois fazia leite quente e cobria a gente com cobertor e carinho.
Nem tudo são águas claras. Quando chove, há pensamentos ruins também.
Quando a tempestade se estendia por dias e o rio se tornava uma turbulenta enchente com águas vermelhas levando tudo. Nada fica em pé: árvores, muros, casas são arrastados.
Seja santa, seja maldita. A chuva deixa como herança a vegetação bem verdinha, os cantos dos pássaros, ar limpinho de dar gosto de se sentir vivo.

Nas palavras de Adélia Prado

Só melhoro quando chove.